Brasil Futures Forum nasce ancorado em duas Cátedras UNESCO
- Wellington Porto

- 18 de mai.
- 3 min de leitura

Durante as duas últimas décadas, a transformação digital reorganizou mercados, comportamentos e modelos de negócio.
Mas algo começou a mudar, e mudar rápido.
Hoje, o eixo da transformação volta a tocar o chão: energia, clima, cidades, saúde, biodiversidade, alimentação, transição produtiva, longevidade e novos pactos sociais. A agenda tornou-se novamente material, territorial e sistêmica, essencialmente civilizacional.
É nesse contexto que o Brasil Futures Forum nasce ancorado em duas Cátedras UNESCO. Não como detalhe institucional, mas como posicionamento estratégico e estrutural: os desafios da economia real exigem ciência, pesquisa, visão de longo prazo e cooperação internacional e multipolar.
O retorno da ciência ao centro das decisões
A economia digital prosperou em ciclos curtos: testar, lançar, escalar, pivotar. A nova agenda global opera em outro tempo: o das infraestruturas, das plataformas de conhecimento e pesquisa, da regeneração, da saúde coletiva, da energia de baixo carbono e da reorganização das cidades. Transformações que não cabem em sprints e exigem décadas de cooperação e conhecimento acumulado.
Centros de pesquisa e redes acadêmicas deixam de ser periféricos e tornam-se estruturais. Não se trata apenas de inovar produtos, mas de redesenhar as bases da vida coletiva.
A primeira âncora: futuros, regeneração e bem-estar planetário
A Cátedra UNESCO em Alfabetização em Futuros, Bem-Estar Planetário e Antecipação Regenerativa é sediada no Museu do Amanhã e na UFRJ, com liderança do biólogo Fábio Scarano, um dos 100 Global Sustainability Leaders.
Seu campo conecta sustentabilidade e regeneração planetária, bioeconomia, transição energética, alfabetização em futuros e a relação entre ciência, sociedade e políticas públicas.
A premissa é clara: é preciso alfabetizar sociedades para pensar e projetar futuros, ampliar a capacidade coletiva de antecipar cenários, tomar decisões de longo prazo, desenvolver inteligência antecipatória e construir alternativas regenerativas.
Aqui, a inovação deixa de ser apenas tecnológica e passa a ser também ecológica, cultural e institucional.
A segunda âncora: saúde, bem-viver e futuros da educação
A segunda base do fórum é a Cátedra UNESCO Futuros da Educação para a Saúde e o Bem-Viver, que reúne Fiocruz, Nova Medical School e Université Paris-Est Créteil, liderada pelo sociólogo Felipe Koch.
O foco amplia o olhar para saúde planetária e coletiva, novos paradigmas educacionais, longevidade, bem-viver e futuros da formação profissional do cuidado.
A pergunta deixa de ser apenas “como crescer” e passa a ser “como viver bem em um mundo em transição”.
Fábio Scarano e Felipe Koch integram o conselho consultivo permanente do Brasil Futures Forum.
Da transformação digital à transformação civilizacional
O encontro dessas duas cátedras simboliza a passagem de uma inovação guiada pela eficiência digital para uma inovação guiada pela viabilidade da vida, envolvendo energia, cidades, cadeias produtivas, acordos multipolares e novas formas de cooperação entre ciência, governos e empresas.
É uma transformação que nasce da convergência entre pesquisa científica, instituições multilaterais, setor produtivo, governos e sociedade civil, convergência que o BFF busca materializar.
Por que essa ancoragem importa
Estar conectado a duas Cátedras UNESCO gera três efeitos diretos:
Profundidade: agenda fundamentada em pesquisa e evidência. Credibilidade: maior confiança de governos, empresas e filantropia.
Horizonte de longo prazo: discussões alinhadas a ciclos de décadas.
Estamos diante de um novo ciclo em que ciência, universidades e cooperação internacional voltam ao centro das decisões globais para lidar com desafios sistêmicos.
O Brasil Futures Forum nasce nesse ponto de inflexão: como espaço de convergência entre imaginação, ciência e estratégia.
Porque o futuro não se improvisa, ele é pesquisado, construído e cultivado coletivamente.
O Brasil Futures Fórum acontece nos dias 22, 23 e 24 de agosto, tendo como palco principal o Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.



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