top of page

FUTUROS ANCESTRAIS

  • Foto do escritor: Eduardo M. de sá
    Eduardo M. de sá
  • 20 de abr.
  • 3 min de leitura

Futuros ancestrais: expandir o campo do possível a partir de outros sistemas de conhecimento


Durante muito tempo, o futuro foi pensado como uma ruptura com o passado. A ideia de progresso se construiu sobre a noção de superação: deixar para trás formas anteriores de conhecimento em direção a sistemas considerados mais avançados, mais racionais, mais eficientes.


Mas essa narrativa começa a ser tensionada.


Em um mundo marcado por incertezas profundas e crises interligadas, cresce o reconhecimento de que muitas das respostas que buscamos não estão apenas à frente. Elas também estão presentes em sistemas de conhecimento que foram historicamente marginalizados.


Futuros não emergem apenas da inovação tecnológica. Emergem também de culturas, territórios e memórias vivas .


Saberes ancestrais não pertencem ao passado


Existe um equívoco recorrente ao tratar saberes ancestrais como vestígios. Como se fossem registros estáticos de um tempo já encerrado. Na realidade, esses saberes são dinâmicos, adaptativos e continuamente atualizados pelas comunidades que os mantêm vivos. São formas sofisticadas de compreender o mundo, testadas ao longo de gerações e profundamente conectadas aos territórios onde se desenvolvem .


Eles operam a partir de lógicas que muitas vezes diferem dos modelos ocidentais dominantes, incorporando dimensões que vão além do racional e do instrumental.


Entre elas:

  • cosmologias que articulam relações entre humanos, natureza e universo

  • epistemologias plurais que reconhecem múltiplas formas de conhecimento

  • dimensões simbólicas, espirituais e do sagrado

  • memórias ecológicas construídas na relação contínua com o território


Essas camadas não apenas ampliam a compreensão do presente.Elas expandem a própria capacidade de imaginar futuros.


Imaginar futuros é um ato cultural


Se todo futuro parte de uma forma de ver o mundo, então imaginar futuros é, inevitavelmente, um ato cultural.


Isso significa que não existe neutralidade na construção de cenários, projeções ou estratégias. Cada visão de futuro carrega pressupostos, valores e referências específicas.


Quando apenas um conjunto limitado de epistemologias orienta esse processo, o campo do possível também se torna limitado.


Ao trazer saberes ancestrais para o centro, abre-se um deslocamento fundamental: o futuro deixa de ser pensado a partir de uma única lógica e passa a ser construído a partir de múltiplas formas de conhecimento.


Isso não significa substituir um sistema por outro. Significa ampliar o campo.


Disputa de narrativas e construção de futuros


Em um cenário global marcado por transformações aceleradas, imaginar futuros se torna também uma questão de poder. Quem imagina define prioridades. Define caminhos. Define o que é considerado viável, desejável ou inevitável.


Quem imagina futuros define caminhos .


Nesse contexto, ampliar quem participa da construção dessas narrativas não é apenas uma questão de diversidade. É uma questão estratégica. Futuros mais complexos exigem imaginações mais diversas.


América Latina: um território de imaginação viva


É nesse ponto que a América Latina assume centralidade.


Uma região onde múltiplas camadas de história, cultura e território coexistem de forma intensa. Onde saberes ancestrais não foram completamente dissociados da vida cotidiana, e onde práticas culturais continuam a produzir formas próprias de entender o mundo.


Essa convivência entre passado, presente e futuro não se organiza de forma linear. Ela cria temporalidades distintas, onde memória e imaginação operam simultaneamente.


Nesse contexto, futuros não são apenas projetados. São vividos, sentidos e culturalmente construídos.


Futuros ancestrais como expansão dos estudos de futuros


Ao integrar cosmologias, epistemologias plurais e dimensões do simbólico e do sagrado, a abordagem de futuros ancestrais amplia o próprio campo dos estudos de futuros.


Ela desloca o foco de uma antecipação baseada apenas em tendências e dados para uma construção mais ampla, que incorpora cultura, território e experiência.


Isso permite:

  • reconhecer outras formas de inteligência e produção de conhecimento

  • ampliar repertórios para lidar com complexidade

  • construir futuros mais conectados com realidades diversas


Mais do que uma abordagem temática, trata-se de uma mudança de perspectiva.


Um espaço para imaginar a partir de múltiplos saberes


O Brasil Futures Forum incorpora essa visão ao reconhecer que imaginar futuros exige muitas formas de saber.


A trilha de futuros ancestrais não propõe um retorno ao passado, mas um avanço conceitual: integrar conhecimentos que historicamente foram excluídos das narrativas dominantes e colocá-los em diálogo com ciência, inovação e estratégias de futuro.


Um espaço onde imaginar e construir caminham juntos .


Futuros começam naquilo que escolhemos escutar


Em um mundo em disputa de narrativas, de modelos e de caminhos , a pergunta central não é apenas quais futuros são possíveis.


Mas quais futuros estamos dispostos a imaginar? E, principalmente, a partir de quais vozes?


Porque futuros não emergem do vazio. Eles emergem das histórias, dos territórios e dos sistemas de conhecimento que escolhemos reconhecer.


E é nesse reconhecimento que novos caminhos começam a existir.

Comentários


O BRASIL
TEM ALGO ÚNICO
A OFERECER AO MUNDO.

O Brasil Futures Forum

é o palco onde isso se revela.

Junte-se a nós para construir o maior fórum de futuros da américa latina e influenciar os próximos capítulos do futuro global!

+55 11 98770-9598

contato@brasilfuturesforum.com 

  • Instagram
  • LinkedIn
bottom of page